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DISPARE

Navegar, navegar a ocidente, já se vê terra e o fim do mundo... ou poemas do manicómio

DISPARE

Navegar, navegar a ocidente, já se vê terra e o fim do mundo... ou poemas do manicómio

25
Nov10

CARTA

Peter

A negrura da noite e o azul do dia

são os locais onde se  acoita Deus

e tenho o problema de saber

se uma carta demora  a lá chegar

se é infinita

ou se prescreve

ao fim de tantos dias

 

ao mesmo tempo

haverá promoções

ou idas em low cost

perguntas e sorteios para quem goste

e uma televisão oficial

e um  telejornal ?

 

ao fim e ao cabo

trata-se do paraíso

e embora me  broquem a testa  no juízo

gostava de saber

para perguntar a Deus

para lhe escrever.

  

18
Nov10

PERGUNTAS

Peter

 

Porquê este sentar por sobre a brasa

vertida sem odor  na combustão

por sobre  a escuridão que nos arrasa

por sobre o nada que há em cada mão

porque o  pergunto eu

se na resposta  há sempre o mesmo  não

 

 

porquê existe olhar  na  cameleira

que vive  equilibrada no quintal

que se desfaz em flor

mas  que não cheira

como porta sem trinco sem soleira

casa onde não existe morador

 

porque é que me perguntas

sem pergunta

tu que sou eu  , matéria e aparência

não sabes donde vens , onde besuntas

tua vida de morte e pestilência

tu que sou eu secura no deserto

liso e perdido num buraco aberto

talvez um só pedaço de inocência.

 

12
Nov10

AUTO ESTRADA

Peter

A auto-estrada são duas fitas pagas

que se desdobram  como consequência

da extracção do grude

são duas fitas fixas numa paisagem móvel

infestada de máquinas de turbulenta origem.

 

a auto estrada é fita e é vertigem do negócio,

lavra do tempo sobre o seu caudal

por lá correm angústias,  paraísos, ócio

incendiado  em rodas de cristal.

 

a vida passa na  sua falsidade

vai a correr num mundo  em solidão

não há  tempo no espaço da  relatividade,

passa  a loucura , não passa a eternidade

a auto-estrada é bola de sabão.

 

a auto estrada  é fuga  sem destino

talvez assim por não se ver quem passa

talvez  sonho que corre e se embaraça

na ideia libertária dum desejo

a auto-estrada  é um amargo beijo.

 

o fim é o principio e o principio o fim,

o alpha, o ómega ,o circulo em viagem,

nas duas fitas negras há cetim

entrelaçado em horas que de mim

tem entrada e saída na portagem.

 

07
Nov10

VOLTA

Peter

 

'Inda ká está este blog louco

vive na sepultura ressequida

é parte do meu corpo , só um pouco,

talvez seja o mais certo desta vida

 

porque ponho a escrever a liberdade

a anarquia que me vai roendo

não há nada mais belo na cidade

que este dizer sem raias e correndo

 

amealhei tanta coisa que é nada

como se fosse coisa de valia

tanta ideia imbecil e tresmalhada

 

que á vinda do ocaso se atrofia

quando só a loucura e censurada

aparece no fim á luz do dia.

 

13
Jul10

LAPSO

Peter

Se me pudesse disparar,disparava

se me fosse possível viajar,viajava

se fosse onda de luz me iluminaria

pelo espaço tempo que me circunda.

 

porque o não conheço nem desvendo

deste lugar sombrio me amaria

nessa descobrição como  um  asteroide

ao longo  d'outro nada imprevisivel.

 

eu que me reclamo abismo de matéria

e cinza do lugar que não encontro

senão imaginado ,eu ,engano de mim

que não conheço e sou quem sou...

 

empenho-me em palavras e barreiras

e em opacidades sem sentido

e neste último escárnio, é colorido

meu pequeno arsenal das asneiras. 

15
Out09

POEMA LOUCO

Peter

      

Se eu phosse o Ke não sou  Kantava-te

Kantava-te de pena  , pena minha

Kantava-te de pena de galinha

tirada duma asa , até do rabo

cantava-te ao ouvido, vem sozinha

ensaboar-me o corpo , Ke me lavo.

 

Se eu phosse o ke não sou, sunhava-te

sunhava-te vestida de caroço

pra te tirar a Kaska e dar-te grosso

beijo  lokal acima do umbigo

Komprimia-te o korpo em alvoroço

e outras coisas mais ke  te não digo

 

se eu fosse o Ke não sou, phumava-te

phumava-te  com phorma e de maneira

a phicares a olhar a vida inteira

para um vazio  em praça de matriz

apenas te deixava no totiço

a boina basca, nada mais que isso

e um brinkinho na ponta do nariz

 

se fosse  o ke  não sou Phanava-te

num dia ke não phosse o próprio dia

levava-te comigo , na magia

de existir e almoçar contigo

para depois disso  ver-te repousada

repousada de pé e não sentada

numa janela em forma de postigo

 

se phosse o ke não sou podia ser

um companheiro, amante , ou um amigo

          

19
Jan09

KRISE

Peter

NOTA$00

 

(não é  para ser lido por politicos, administradores virtuais,

gatunos, corruptos, mentecaptos e vendedores de banha.)

 

A krise anda pra aí  merda pra ela

eu ká nunca vivi doutra maneira

a krise é dos gatunos, financeira,

Krise pra nós ? nós estamos sempre nela !

.

 

Krise dos vigaristas dos ladrões

ke nos roubam a carne até á alma

dos puderosos rikos e poltrões

pra nós  a krise é a mesma , há que ter kalma.

.

 

kem nada tem , uns nuventa por 100%,

nada podem perder já são eskravos

dos korrutos do mundo  que só tem

abilidade purke somos nabos.

.

 

perderam a Kamisa ? até o Ku

lá deviam perder a espeKular

esta Krise é dos ricos, mas és tu

tu de certeza ke a vais pagar.

.

 

amanhã se rephilas, e tens fome,

acenãota policia komo a kão,

parazitas da terra, ção kem come

para deichar morrer outros ke estão.

.

 

eu tenho pena deles barulhentos

porKos e maus , mas tudo lhes darão

politicos mafiosos fedorentos

na mira de KUmerem seu kinhão.

.

 

o mundo é isto tudo o ké pressizo

da lei da selva  subtil darwinismo

bem  poucos a viver no paraiso

todos os outros  do lado do abismo.

 (escrito em  ortugraphia nova do novo dicionário

do m. da educação nacional)

 

 

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