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DISPARE

Navegar, navegar a ocidente, já se vê terra e o fim do mundo... ou poemas do manicómio

DISPARE

Navegar, navegar a ocidente, já se vê terra e o fim do mundo... ou poemas do manicómio

15
Fev20

...

Peter
TELEPHONE
 
Telefonei-te, uma app qualquer
meteu-se entre nós dois na ligação
a gente já não fala a quem quiser
mas a quem aproveita a ocasião
 
estava a falar contigo não te vi
mas era forte a minha convicção
que te falava não a outra a ti
e foi a ti que dei meu coração
 
mas garantir não posso que o aval
sem a realidade observada
de muito pouco ou mesmo nada vale
 
para que a coisa se dê por consumada
pois pode até ser posta num jornal
numa notícia breve e inventada.
 

 

 

25
Nov10

CARTA

Peter

A negrura da noite e o azul do dia

são os locais onde se  acoita Deus

e tenho o problema de saber

se uma carta demora  a lá chegar

se é infinita

ou se prescreve

ao fim de tantos dias

 

ao mesmo tempo

haverá promoções

ou idas em low cost

perguntas e sorteios para quem goste

e uma televisão oficial

e um  telejornal ?

 

ao fim e ao cabo

trata-se do paraíso

e embora me  broquem a testa  no juízo

gostava de saber

para perguntar a Deus

para lhe escrever.

  

18
Nov10

PERGUNTAS

Peter

 

Porquê este sentar por sobre a brasa

vertida sem odor  na combustão

por sobre  a escuridão que nos arrasa

por sobre o nada que há em cada mão

porque o  pergunto eu

se na resposta  há sempre o mesmo  não

 

 

porquê existe olhar  na  cameleira

que vive  equilibrada no quintal

que se desfaz em flor

mas  que não cheira

como porta sem trinco sem soleira

casa onde não existe morador

 

porque é que me perguntas

sem pergunta

tu que sou eu  , matéria e aparência

não sabes donde vens , onde besuntas

tua vida de morte e pestilência

tu que sou eu secura no deserto

liso e perdido num buraco aberto

talvez um só pedaço de inocência.

 

12
Nov10

AUTO ESTRADA

Peter

A auto-estrada são duas fitas pagas

que se desdobram  como consequência

da extracção do grude

são duas fitas fixas numa paisagem móvel

infestada de máquinas de turbulenta origem.

 

a auto estrada é fita e é vertigem do negócio,

lavra do tempo sobre o seu caudal

por lá correm angústias,  paraísos, ócio

incendiado  em rodas de cristal.

 

a vida passa na  sua falsidade

vai a correr num mundo  em solidão

não há  tempo no espaço da  relatividade,

passa  a loucura , não passa a eternidade

a auto-estrada é bola de sabão.

 

a auto estrada  é fuga  sem destino

talvez assim por não se ver quem passa

talvez  sonho que corre e se embaraça

na ideia libertária dum desejo

a auto-estrada  é um amargo beijo.

 

o fim é o principio e o principio o fim,

o alpha, o ómega ,o circulo em viagem,

nas duas fitas negras há cetim

entrelaçado em horas que de mim

tem entrada e saída na portagem.

 

07
Nov10

VOLTA

Peter

 

'Inda ká está este blog louco

vive na sepultura ressequida

é parte do meu corpo , só um pouco,

talvez seja o mais certo desta vida

 

porque ponho a escrever a liberdade

a anarquia que me vai roendo

não há nada mais belo na cidade

que este dizer sem raias e correndo

 

amealhei tanta coisa que é nada

como se fosse coisa de valia

tanta ideia imbecil e tresmalhada

 

que á vinda do ocaso se atrofia

quando só a loucura e censurada

aparece no fim á luz do dia.

 

13
Jul10

LAPSO

Peter

Se me pudesse disparar,disparava

se me fosse possível viajar,viajava

se fosse onda de luz me iluminaria

pelo espaço tempo que me circunda.

 

porque o não conheço nem desvendo

deste lugar sombrio me amaria

nessa descobrição como  um  asteroide

ao longo  d'outro nada imprevisivel.

 

eu que me reclamo abismo de matéria

e cinza do lugar que não encontro

senão imaginado ,eu ,engano de mim

que não conheço e sou quem sou...

 

empenho-me em palavras e barreiras

e em opacidades sem sentido

e neste último escárnio, é colorido

meu pequeno arsenal das asneiras. 

08
Mai10

NO MEU PAÍS

Peter

{#emotions_dlg.santarem} 

 No meu país nada mudou, agente

sai e regressa ao som da concertina

tocando o dó , o dó manso e dolente

na boca do vilão que nos domina.

 

no meu país o fado está presente

em todo o solo , é nele que germina

perante um povo amargo e indiferente

imune a toda  a ave de rapina.

 

no meu país acabam madrugadas

a bem dizer antes de começar,

e fazem-se revoltas apagadas

por cravos condenados a murchar.

 

no meu país , no meu país abunda

a ilusão , a fome, a injustiça,

sob uma casta dirigente imunda

eleita mesmo assim, como a nabiça.

 

no meu país nada se muda , é certo

que nasce o sol , o mar se agita e vem

uma sardinha ao prato em céu aberto

que gosto e sal uma sardinha tem !!!

 

no meu país de estrada permanente

directa ao exterior mas retorcida,

vive a saudade a dor, o indecente

ter de  sair para governar a vida.

 

no meu país nada mudou , agente

quando regressa é droga, é pela morfina

como o orar com uma santa em frente

onde a cabeça abaixa e se inclina.

 

no meu país nada mudou  somente

se muda a hora , manhã ou vespertina

sempre os mesmos vilões impunemente

a acompanhar ao bombo a concertina.

 

 {#emotions_dlg.beja}  {#emotions_dlg.portalegre}  {#emotions_dlg.porto}  {#emotions_dlg.benfica}  {#emotions_dlg.aveiro}  {#emotions_dlg.gay}  {#emotions_dlg.vila_real}  {#emotions_dlg.style}  {#emotions_dlg.evil}

03
Mai10

CANÇONETA

Peter

 

 

Os olhos dela eram só olhos dela

a face dela  era o entardecer

o peito dela pendurado em meu peito

no corpo dela  antes de adormecer

 

os olhos dela eram  os olhos dela

eram a fonte onde eu ia beber

os beijos dela dormiam no meu leito

e se coziam pelo alvorecer.

 

 

os olhos dela eram  os olhos dela

eram o livro que costumava ler

letras perdidas sem fundo e qualquer jeito

foram gelando mesmo antes de morrer

 

os olhos dela eram  os olhos dela

eram um rio farto de correr

eram nascente sem àgua e sem tijela

onde afinal se pudesse beber.

 

04
Abr10

LOUISE

Peter

Passou o tempo e tanto verão 

por sobre  pó de tanto pó,

de tanto pó louise

que continuas firme

sentada na cadeira de lona

espetada na  relva fresca

dançando o mesmo tango

pelo mar agitado dos sentidos

debaixo do chorão.

 

não sei se existes , és,

é uma coisa só do verbo ser,

encontro-te amiúde

do rés do chão ao sotão

ao quarto da pensão

da janela do lado do luar

que dava para o jardim

no fim  da meia noite

á saída do baile.

 

Ias e vinhas

em cada  madrugada

em bruma de alvoroço 

adormecia em ti

e o pó da caminhada

era de vento

o areal explodia

o verão regorgitava a eficácia...

 

não o guardei em tela

mas a fotografia a preto e branco

é testemunha fria

onde estarás louise

ao fim do dia??

18
Out09

VIA

Peter

       

Vou a caminho a estrada não tem piso

não tem piso o caminho mas eu vou

não tem porta a parede onde desliso

nem sei se alguém um dia ali passou.

 

este caminho , talvez do paraíso

não possui macadame ou alcatrão

nem tem as marcações como é preciso

e muito menos a sinalização.

 

sulca lugares perigosos, de acidentes

abismos e infernos, isso sim

entre carcaças de ossos e de dentes

 

mas o caminho não acaba assim,

talvez em manicómio onde os doentes

não  possuem principio nem tem fim.

         

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